Se como designer Hervé Hette já estava entre o funcionalismo da comunicação e a estética, sem nunca subjugar a sua criatividade e a busca de um pessoal conceito de beleza às exigências do marketing – ele que se formou em comércio e gestão –, enquanto fotógrafo tem sabido equacionar a noção de reportagem, ou se quiserem de relato de uma determinada realidade, com objectivos especificamente artísticos. Em áreas onde tais equilíbrios são tão delicados, é isso que o torna especial.


Isso e o seu percurso pessoal, o percurso de alguém que tem a coragem de assumir riscos e de persistir, teimosamente, em alcançar os fins a que se propõe. Alguém que eu me orgulho de contar como amigo. Nos momentos de maior desalento, encontro nele o melhor dos exemplos para me manter o optimismo e a esperança.


Cada tarefa a que se propõe encara-a o Hervé como uma missão. Sem se martirizar; antes com a leveza de espírito e a confiança próprios de um "bon vivant" vindo do Norte de França para um país, como Portugal, em que se julga que viver significa sofrer. Os obstáculos e as dificuldades que encontrou não foram para ele mais do que oportunidades para crescer.


Quando fui chamado para coordenar os conteúdos de uma revista dedicada ao jazz e à música improvisada, a jazz.pt, convidei-o imediatamente para fotografar os eventos que se realizam nesse sector musical em constante crescimento e dinamismo. Sabia que ele não tinha qualquer experiência como fotógrafo de cena, mas sabia também que, como músico trompetista que foi, iria ter uma especial relação com o tema do seu trabalho. A aposta que fiz só podia ser ganhadora: hoje, o Hervé é um dos melhores (senão mesmo o melhor) fotógrafos do jazz em Portugal.


Premonitórias foram, pois, as muitas horas que passou, quando adolescente, a ajudar o seu pai, um entusiasta da fotografia, na câmara escura que tinha montada em sua casa. O trompete acabou por ficar dentro do estojo, mas a fotografia tornou-se no seu principal mister.


À fotografia de cena juntou a fotografia de estúdio e da documentação visual de acontecimentos musicais evoluiu para a concepção de projectos de raiz, como é o caso de "CADA PALAVRA É UM PASSO". Quase oito anos depois, o Hervé troça das fotos que tirou à compositora e directora de orquestra Maria Schneider. Dessas primeiras imagens não sou tão crítico quanto ele, mas estou bem ciente do extraordinário talento que é necessário para obter a fotografia da Lua tirada em pleno dia que ele tem exposta numa parede da sala.


Tendo em conta o muito que andou para aqui chegar, se Hervé Hette é o que já é no ano em que comemora 46 de vida, imagine-se o que irá ser nos que aí vêm. Pela minha parte, acompanharei a sua caminhada com a maior das curiosidades. E também com a maior das invejas.

Fotógrafo e designer gráfico francês visitou pela primeira vez Portugal em 1992. Seduzido pelo povo português e pela luz de Lisboa, decidiu instalar-se definitivamente em 1994. Desde então, em fotografia, trabalhou nas áreas do jazz, do retrato, da moda, da fotografia-terapia... para além de desenvolver trabalhos pessoais artísticos como por exemplo, a edição do livro "Cada palavra é um passo" (com poesia de Philippe Despeysses) - 2011, bem como a realização de várias exposições individuais e colectivas.

Um pouco sobre mim

A fotografia é uma curta metragem que dura o tempo que lhe for concedido por cada visitante/observador. Se o olhar se prende nela, isso significa que o visitante descobre aí as suas próprias sensações, de forma independente do Autor. Às vezes surge também um pouco de história, conforme o seu próprio imaginário e as suas recordações.

Daniel Blaise

Rui Eduardo Paes
(crítico de música, ensaísta)

© 2020 by Hervé Hette

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